Como Declarar Mais-Valias de Ações no IRS 2026

Menos IRS 22 de junho de 2026 4 min de leitura

Declarar as mais-valias de ações no IRS pode parecer complicado, mas com o nosso guia passo a passo para 2026, ficará tudo mais simples. Em Portugal, as mais-valias de ações devem ser declaradas no Anexo G se forem de fonte portuguesa e no Anexo J se forem de fonte estrangeira.

Como preencher o Anexo G para ações nacionais

O Anexo G destina-se à declaração de mais-valias provenientes de ações de entidades residentes em Portugal. Siga estes passos para preencher corretamente:

  1. Aceda ao Portal das Finanças e selecione a opção para preencher o IRS online. Escolha a categoria de rendimentos de capitais e avance para a secção de anexos.
  2. Na secção de anexos, escolha o Anexo G. Este anexo é essencial para reportar mais-valias de ações, pelo que a sua seleção correta é crucial.
  3. Preencha o quadro 4, indicando o tipo de mais-valia e os valores de aquisição e de venda. Certifique-se de que os valores inseridos correspondem aos documentos comprovativos, como extratos de corretoras.
  4. Insira as despesas associadas, como comissões de venda. Estas despesas podem incluir taxas de corretagem e outros custos diretamente relacionados com a transação.
  5. Calcule a mais-valia líquida e insira o valor no campo apropriado. A diferença positiva entre o valor de venda e o custo total de aquisição (incluindo despesas) constitui a mais-valia.

É importante verificar todas as informações antes de submeter o anexo, pois erros podem resultar em notificações das Finanças e eventuais penalizações.

Como preencher o Anexo J para ações estrangeiras

Se as ações são de entidades não residentes em Portugal, deverá usar o Anexo J. Os passos são semelhantes ao Anexo G, mas com algumas especificidades:

  1. Selecione o Anexo J no Portal das Finanças. Este anexo é dedicado a rendimentos obtidos no estrangeiro e requer atenção especial na conversão de valores.
  2. No quadro 8, declare o nome da entidade e o país de origem. Esta informação é fundamental para identificar a fonte do rendimento e assegurar a correta aplicação das taxas de tributação.
  3. Insira os valores de aquisição e alienação, convertidos para euros. Utilize a taxa de câmbio à data da transação, conforme publicada pelo Banco de Portugal.
  4. Informe as comissões e despesas incorridas na transação. Tais custos podem ser deduzidos da mais-valia, reduzindo o imposto a pagar.
  5. Calcule a mais-valia líquida e declare-a na linha correspondente. Tal como no Anexo G, a diferença entre o valor de venda e o custo total da aquisição, incluindo despesas, determina a mais-valia.
Dica: Utilize o nosso simulador de IRS para verificar como as mais-valias afetam o seu imposto a pagar.

Exemplo prático

Imagine o João, que comprou ações da Empresa X por 5.000€ em 2024 e as vendeu por 7.000€ em 2026. As comissões de compra e venda foram de 50€ cada. Vejamos como o João deve proceder:

  • Valor de aquisição: 5.000€ + 50€ (comissão) = 5.050€
  • Valor de venda: 7.000€ - 50€ (comissão) = 6.950€
  • Mais-valia líquida: 6.950€ - 5.050€ = 1.900€

O João deve reportar 1.900€ no Anexo G. Este procedimento assegura que a mais-valia é devidamente tributada à taxa aplicável.

Período de tributação e taxas aplicáveis

As mais-valias de ações são tributadas à taxa de 28% em Portugal, que é uma taxa liberatória. No entanto, se o contribuinte optar pelo englobamento, as mais-valias serão sujeitas às taxas progressivas do IRS, que podem variar entre 14,5% e 48%, dependendo do rendimento coletável.

Optar pelo englobamento pode ser vantajoso para alguns contribuintes, especialmente se as suas taxas efetivas de IRS forem inferiores à taxa liberatória de 28%. No entanto, é importante considerar que a opção pelo englobamento implica que todos os rendimentos de capitais sejam incluídos na tributação global.

Atenção: As regras podem mudar, por isso confirme sempre as taxas à data no guia do IRS.

Casos práticos e erros comuns

Um erro frequente é a omissão de despesas associadas à compra e venda de ações, como as taxas de corretagem, que podem afetar significativamente o cálculo da mais-valia líquida. Outro erro comum é a incorreta conversão de valores de transações realizadas em moeda estrangeira, o que pode causar discrepâncias nos montantes declarados.

Além disso, alguns contribuintes podem subestimar a importância de manter registos detalhados das transações, incluindo faturas e comprovativos de despesas, o que pode complicar o processo de declaração no caso de ser necessário justificar os valores às autoridades fiscais.

Perguntas frequentes

O que são mais-valias de ações?

Mais-valias de ações são os lucros obtidos pela venda de ações a um preço superior ao de compra. São consideradas como um rendimento de capital e, por isso, sujeitas a tributação.

Qual é o prazo para declarar mais-valias?

As mais-valias devem ser declaradas no IRS do ano seguinte à venda, até 30 de junho. É importante cumprir este prazo para evitar coimas e juros de mora.

Posso deduzir perdas de ações no IRS?

Sim, as perdas podem ser deduzidas às mais-valias do mesmo ano ou reportadas por dois anos. Esta dedução pode ajudar a reduzir a carga fiscal sobre as mais-valias.

É obrigatório declarar mais-valias de ações estrangeiras?

Sim, as mais-valias de ações de entidades estrangeiras devem ser declaradas no Anexo J. O não cumprimento desta obrigação pode resultar em penalizações por parte das autoridades fiscais.

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